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Pesca Esportiva: Entrevista com Anderson Guedes

Hoje, o portal Canal do Turista dá início a uma empolgante série de entrevistas com amantes da pesca esportiva. E para começar com o pé direito, convidamos Anderson Guedes, um verdadeiro entusiasta da Pesca Esportiva que conquistou a atenção de milhões de espectadores em seu canal no YouTube https://www.youtube.com/Andersonguedes

Canal do Turista: Como você começou na pesca esportiva e o que o motivou a se tornar um influenciador digital nessa área?

Anderson Guedes: Sou natural do Mato Grosso do Sul, um estado onde a pesca é muito presente e praticamente todos gostam de pescar. Comecei a me interessar pela pesca esportiva, mais especificamente pelo pesque e solte. Quando criança, quase todos nós íamos pescar, e a atividade era como ir a um pomar e colher frutas para levar para casa. Fomos criados com essa mentalidade. No entanto, desde cedo, meus pais sempre nos ensinaram a não tirar mais do que o necessário da natureza para nosso consumo. Por isso, nunca pescávamos com redes, e essa prática já fazia parte da nossa criação.

Quando era adolescente, tive a oportunidade de estudar fora do país e morei na Dinamarca. Lá, também pesquei em várias regiões, como Suécia e Noruega, que são bem próximas. Sempre gostei muito de pescar. Aos quinze anos, mudei-me para a Dinamarca, onde essa cultura já era bem estabelecida. As pessoas pescavam salmão e truta, e praticavam a pesca mais por esporte, retirando apenas um ou outro exemplar e soltando o restante.

Esqueci de mencionar que decidi me tornar um influenciador digital nessa área. Como mencionei na resposta número um, pesco desde criança. Sou natural do Mato Grosso do Sul e há cerca de três anos comecei no Instagram, que completará dois anos em julho. Em junho, serão dois anos.

Há três anos no YouTube, decidi postar vídeos das minhas pescarias no meu Instagram para incentivar a prática do pesque e solte. Percebi que isso talvez tenha sido um diferencial em relação aos inscritos e ao crescimento do nosso canal em comparação a outros.

Existem canais no YouTube com mais inscritos, mas com menor quantidade de visualizações do que o nosso. Quando começamos nosso canal, queríamos mostrar algo diferente e realista, pois não desejava me apresentar como um “super pescador”.

Nossos vídeos mostram acidentes, acertos, erros e até frutas que encontramos pelo caminho. Procuramos mostrar aquilo que não víamos nos vídeos de pesca, como pessoas adentrando na mata, preocupadas em simplesmente pegar o peixe, mostrá-lo à câmera e se tornar um “super pescador”.

Nesse sentido, decidimos mostrar a realidade da pesca esportiva, o convívio com a natureza e os animais silvestres, além de curiosidades, sem querer parecer um “super pescador”. Um exemplo disso é um vídeo em que a Ju se acidentou, enroscando um anzol no pé, e mostramos como conseguimos resolver a situação sem precisar levá-la ao hospital.

A ideia era mostrar a pescaria como ela realmente é, focando na natureza e no dia a dia de qualquer pescador, sem dar ênfase somente ao tamanho do peixe pescado.

Canal do Turista: Qual é o tipo de peixe que você mais gosta de pescar e por quê?

Anderson Guedes: O peixe que mais gosto de pescar é a Jatuarana, utilizando isca artificial. A Jatuarana é um peixe extremamente esportivo, muito mais do que o Tucunaré e mais forte do que o Dourado. Considerando o tamanho, ela é muito mais forte e possui uma complexidade um pouco maior para ser capturada com isca artificial. Isso ocorre porque geralmente são encontradas em locais de difícil acesso dentro da floresta, em rios com muita madeira e galhos. Quando capturadas, as Jatuaranas saltam e passam pelos galhos, tornando-se um desafio, além de serem muito fortes.

Muitas pessoas confundem a Jatuarana com a Matrinxã, mas, ao visitar o estado de Rondônia e ter a oportunidade de capturar uma Jatuarana, percebem que elas são completamente diferentes. A Jatuarana não se assemelha à Piraputanga nem à Matrinxã. Apesar de pertencerem à mesma família, apresentam comportamentos bem distintos.

Canal do Turista: Como você prepara o conteúdo para o seu canal do YouTube e quais são os principais desafios que você enfrenta para manter seu público engajado?

Anderson Guedes: O nosso canal tem como propósito mostrar a pescaria de maneira autêntica, exatamente como ela é na realidade. Nossa maior preocupação ao gravar os vídeos é compartilhar a nossa visão com o público, o que acreditamos ser a parte mais difícil, pois não focamos apenas em pescar, mas também em outros aspectos. Por exemplo, utilizamos caiaques, soltamos os peixes e, na maioria dos nossos vídeos, mostramos algo além da pesca. Caminhamos pela mata, exploramos a floresta e destacamos as belezas naturais do local.

Esse desafio se torna ainda maior quando se filma com uma câmera acoplada à cabeça, pois a perspectiva de quem está caminhando é diferente daquela de quem está assistindo ao vídeo. No entanto, uma das características marcantes do nosso canal é que a maioria dos espectadores consegue se sentir verdadeiramente presente nos vídeos, e isso é muito importante.

Outro aspecto interessante, que não foi mencionado, é que a maioria dos nossos vídeos possui legendas em português. Decidimos adicionar as legendas após recebermos inúmeras mensagens de pessoas com autismo, pais de crianças autistas ou indivíduos com dificuldades auditivas que se sentem cativados pelos nossos vídeos. As legendas facilitam o entendimento desse público, tornando a experiência ainda mais inclusiva. Portanto, ficamos muito felizes com esse feedback positivo de nossos espectadores.

Canal do Turista: Quais são os equipamentos de pesca que você considera essenciais para um pescador esportivo?

Anderson Guedes: Os equipamentos de pesca essenciais para um pescador incluem uma vara, um molinete ou uma carretilha, dependendo do tipo de pesca que ele pretende realizar. Atualmente, é importante proteger-se do sol forte, usando uma camisa com proteção UV, óculos de sol e protetor solar. Os óculos de sol são fundamentais não só para proteção solar, mas também para evitar acidentes com anzóis, que podem atingir os olhos durante a prática da pesca.

Além disso, é aconselhável utilizar um alicate para manusear o anzol com mais segurança e um passaguá para auxiliar na captura do peixe. Equipamentos de segurança e proteção solar são essenciais, principalmente no Brasil, onde a incidência solar é alta durante todo o ano.

Em resumo, o pescador deve ter uma tralha de pesca composta por molinete, carretilha, vara de pesca, alicate para soltar a isca com segurança, óculos de sol, protetor solar, camisa com proteção solar e um boné para ajudar a bloquear o sol. Todos esses itens contribuem para uma experiência de pesca mais segura e confortável.

Canal do Turista: Como você escolhe os locais para suas pescarias e quais são os critérios que você leva em consideração?

Anderson Guedes: Os locais que escolho para minhas pescarias são aqueles de difícil acesso, onde a natureza está mais preservada e viva. São lugares um pouco mais isolados, que permitem explorar e desfrutar da paisagem. Esses são os locais que mais me atraem, onde é possível encontrar peixes em seu habitat mais selvagem. Dou preferência a áreas com florestas bem preservadas e com muita vida natural ao redor.

A pescaria, para mim, não é apenas ficar à beira do rio pegando peixe. Não se trata da quantidade de peixes, mas sim da qualidade da experiência. A grande maioria das nossas pescarias envolve adentrar na selva e visitar lugares isolados. Na cidade onde moro, por exemplo, é possível pegar peixes gigantes embaixo da ponte, com o celular funcionando e até fazer uma transmissão ao vivo. Entretanto, não sinto o mesmo prazer em pescar nesses locais urbanos.

Isso porque, apesar de conseguir pegar bastante peixe e até peixes grandes, estou dentro da cidade. A pescaria, para nós, é uma oportunidade de escapar do mundo urbano e mergulhar na natureza. Portanto, quanto mais natureza houver, melhor será a escolha do local para a pescaria.

Canal do Turista: Como você vê o papel das mídias sociais na promoção da pesca esportiva e na conscientização sobre a conservação dos ecossistemas aquáticos?

Anderson Guedes: Eu acredito que poucas pessoas, inclusive o governo, compreendem a conexão entre a pesca esportiva e a preservação ambiental. Por quê? Porque o pescador esportivo geralmente possui consciência ambiental. Quando captura uma matriz, mesmo que às vezes leve um peixe menor para casa, ele solta a matriz de volta na água. Isso ocorre porque ele sabe que essa matriz possui material genético importante para o desenvolvimento de novos peixes.

Além disso, o pescador esportivo entende a importância de manter as margens dos rios limpas. Se encontrar lixo, ele o recolherá e levará de volta para casa, juntamente com seu próprio lixo. Ao mostrar as belezas naturais e o ambiente preservado, isso conscientiza as pessoas sobre a importância de preservar a natureza para as futuras gerações.

As mídias sociais têm um papel importante ao mostrar a pesca esportiva e sua relação com a natureza, aumentando a conscientização sobre a preservação ambiental. Isso é mais importante do que leis ou punições, pois é essencial que os seres humanos entendam a necessidade de colaborar na preservação do meio ambiente. Até mesmo alguém que possui uma grande propriedade perceberá a importância de preservar a mata ciliar, sabendo que seu filho poderá desfrutar do rio no futuro.

A pesca esportiva é bastante popular no Brasil, quase como o futebol. É raro encontrar alguém que não goste de pescar, seja na natureza ou em pesqueiros.

Canal do Turista: Quais são os principais obstáculos que você vê para a expansão da pesca esportiva no Brasil e como podemos superá-los?

Anderson Guedes: O Brasil está um pouco atrasado em relação a países como Estados Unidos, Austrália e Japão, onde a pesca esportiva tem um grande impacto na economia. Acredito que uma ação governamental para transformar a pesca esportiva em esporte traria benefícios. Primeiramente, o pescador passaria a ser considerado um esportista, o que geraria vantagens tributárias.

A pesca esportiva, atualmente considerada lazer, tem seus materiais tributados com impostos mais altos do que os de materiais esportivos. Caso fosse classificada como esporte, haveria uma redução nos preços, tornando-a mais acessível. Outro obstáculo é conscientizar as pessoas de que, ao capturar e soltar o peixe, elas não estão prejudicando o animal e, sim, contribuindo para a perpetuação da espécie.

Não há comprovação de que os peixes sintam dor, e um anzol é bem menos doloroso do que uma ferroada de mandi, por exemplo. Se a pesca esportiva fosse considerada esporte, pescadores e influenciadores esportivos teriam acesso a um leque de oportunidades, desde a autenticação de perfis no Instagram até a participação em campeonatos.

A classificação como esporte também possibilitaria ao governo promover eventos de pesca esportiva, atraindo turismo e gerando renda para os municípios. Um exemplo disso seriam os campeonatos em áreas alagadas de usinas. Atualmente, a iniciativa privada é responsável por eventos do tipo, mas o apoio governamental poderia direcionar mais recursos e incentivos para essa área.

Canal do Turista: Qual é o seu conselho para aqueles que desejam iniciar na pesca esportiva?

Anderson Guedes:  Meu primeiro conselho para quem deseja iniciar na pesca esportiva é levar um aparelho para registrar as imagens desses momentos, porque é muito gratificante soltar um peixe e, depois, poder dizer “Caramba! Que legal!” Esse dia cria uma recordação muito boa, sabe? Eu acho isso muito, muito legal.

Então, não deixe de registrar seus momentos com a natureza ao praticar a pesca esportiva. Esse é o primeiro conselho que dou: não fique esperando. A partir de hoje, comece a pescar e soltar. Se você for fazer um peixinho, faça na beira do rio, sem problemas. Continue fazendo isso com respeito.

Ao pegar um peixe bonito e grande, solte-o, pois, com certeza, ele possui material genético que contribuirá para o surgimento de novas espécies e outros peixes desse tamanho.

Canal do Turista: Quais são seus projetos futuros para a pesca esportiva e sua presença nas redes sociais?

Anderson Guedes: Atualmente, temos trabalhado muito. Como mencionei anteriormente em nosso canal, ele possui legendas e, dentre elas, além do português, temos outros idiomas, o que nos permite expandir um pouco mais além do Brasil. Conseguimos obter esses dados pelo canal no YouTube, mostrando a pesca esportiva fora do nosso país, e isso é importante.

Isso acontece porque, ao atrair mais pessoas para conhecer o Brasil, acabamos melhorando a economia local da nossa região. Um pescador esportivo que vem de fora primeiro compra uma passagem, vem para cá, se hospeda em hotel, tem despesas com alimentação e acaba levando presentes.

Assim, isso traz um benefício muito grande ao nosso país, assim como em outros países como Austrália, Japão, Estados Unidos e até em alguns lugares da África e Bolívia, onde há grandes operações de pesca. Isso já proporciona renda suficiente para distritos e cidades, apenas com a pesca esportiva, o que é muito importante para nós.

Nas redes sociais, temos expandido nossa presença. Inclusive, começamos a explorar o TikTok e o Kwai. Nossa página no Facebook também já está alcançando público fora do país, assim como no Instagram e YouTube, onde já temos postado conteúdo regularmente.

Canal do Turista: Você pode contar mais sobre a sua atividade de pesca com as @galegasdorio e como isso levou ao vídeo em seu canal do YouTube que ultrapassou 2,8 milhões de visualizações?

Anderson Guedes: Então, as Galegas do Rio, Ana e Ju, já estavam inscritas em nosso canal desde as primeiras publicações. Por coincidência, combinamos uma pescaria no Mato Grosso do Sul. Conversei com elas sobre o caminho e decidimos ir de caminhonete. Para chegar ao Mato Grosso do Sul, precisamos passar pelo Mato Grosso.

Acabamos combinando essa pescaria e foi uma experiência muito interessante e determinante para o sucesso do vídeo. Mostramos a região de Sinop e a área do Teles Pires, proporcionando às pessoas uma grande satisfação ao apreciar a natureza sob nossa perspectiva.

No vídeo, exibimos parte do percurso, a interação com as meninas, nosso trajeto até o local de pesca e a diversidade de peixes encontrados. Mostramos também a beleza do ambiente, mesmo com a presença das usinas na região, e como a natureza ainda se mantém preservada.

Muitas pessoas entraram em contato, perguntando onde era o local e como fazer para pescar lá. Isso foi extremamente importante e acredito que contribuiu para o engajamento das pessoas. O interesse em ver a amizade que a pescaria proporciona, a natureza, a variedade de espécies e o local em si, formou um conjunto que fez o vídeo viralizar e explodir em popularidade.

Canal do Turista: Como você e suas parceiras de pesca se preparam para uma aventura como essa, tanto em termos de equipamento quanto de estratégia de pesca?

Anderson Guedes: Sempre é muito interessante quando você vai pescar, escolher o local adequado e conhecer a região, ou ter alguém que a conheça bem. No caso das Galegas do Rio, elas já conheciam a área e tinham experiência em pescar naquele local. Como tivemos que nos deslocar de barco e seria um percurso muito grande para fazermos remando, as Galegas do Rio organizaram dois barcos.

Eles providenciaram barcos para que pudéssemos colocar os caiaques. Quando soube do local onde iríamos pescar, já separei as varas e as iscas apropriadas para os peixes da região. E, claro, como passamos dois dias praticamente pescando, levamos mantimentos e itens necessários para o acampamento.

Canal do Turista: O que você acha que tornou o vídeo tão popular e o que você aprendeu com essa experiência?

Anderson Guedes: É como eu disse anteriormente, acredito que o vídeo se tornou popular pela naturalidade com que mostramos a pescaria. Em nosso canal, sempre mostramos a realidade da pesca, sem esconder ou modificar nada. Acho que essa autenticidade foi o que deixou o vídeo tão popular. Mostramos o acampamento, a pescaria, a convivência entre nós e a ideia de que a pesca não é algo exclusivo para homens.

É uma atividade para mulheres, crianças e famílias, como mostramos com o Vitor e o filho do outro Vitor, que foi conosco na pescaria. Acredito que isso fez várias pessoas se identificarem, seja por serem mulheres, crianças ou pela presença de todos pescando juntos.

Acho que esse conjunto de mostrar a atividade de forma natural e acessível a todos ajudou muito. Aprendemos que fomos muito bem recebidos em Sinop e em todos os lugares por onde passamos. As pessoas foram calorosas e acolhedoras, o que nos deixa muito gratos.

Percebemos a importância da humildade e do companheirismo que passamos nos vídeos. Sempre tentamos responder a todos os comentários, mesmo que às vezes não seja possível devido a estarmos pescando ou fora de área. Isso foi muito elogiado pelos nossos seguidores e mostrou-se importante para nós.

Foi muito interessante mostrar ambientes diferentes dos que estamos acostumados a pescar. Esse novo cenário despertou ainda mais o interesse das pessoas que nos assistem, deixando-as ainda mais envolvidas com o vídeo.

Canal do Turista: Como você acredita que a pesca esportiva pode ser mais inclusiva e diversa, especialmente em relação às mulheres?

Anderson Guedes: Então, a questão da inclusão é tão importante que a gente nem faz ideia. Vou te mandar uma foto da Valentina no WhatsApp. Eu a coloquei no meu caiaque para que ela pudesse remar. A Valentina teve um problema no parto, e agora é cadeirante. Ela deve passar por várias cirurgias na coluna e tem dificuldades de mobilidade. Eu a coloquei no caiaque para remar em um ambiente controlado e tranquilo. Quando ela se sentir mais confortável, vou levá-la para pescar.

Ela já faz equoterapia e, quando começou a remar, deu para ver a alegria e a liberdade que ela sentiu na natureza. Você imagina uma pessoa cadeirante remando como se estivesse andando na floresta? Ela está ali, remando e indo aonde quiser. Estamos iguais, ali em termos físicos e tudo. Isso me emocionou bastante e é algo que quero incentivar mais. Esse é um dos projetos que tenho no meu canal: trazer mais pessoas com deficiências ou medos.

O medo pode ser considerado uma deficiência no sentido de que às vezes a pessoa tem medo da natureza ou dos animais, mas está ansiosa. Acredito que a pesca esportiva pode ajudar muito essas pessoas, que estão em um nicho ainda menor do que o das mulheres.

Vamos considerar um nicho de pessoas especiais, como aqueles com síndrome de Down ou autismo. A pesca esportiva pode ajudar muito essas pessoas. Em relação às mulheres, é incrível como a pesca esportiva tem evoluído com a participação delas. Hoje, não consigo imaginar a pesca esportiva sem as mulheres. Nos meus últimos vídeos, faço questão de mostrar mulheres pescando.

A pesca esportiva é um esporte sem distinção de gênero, e todos podem aprender as técnicas necessárias. As mulheres estão conquistando cada vez mais espaço na pesca esportiva, e isso é interessante, pois traz uma visão mais ampla e diversificada. A entrada das mulheres no esporte melhorou o design das camisas de pesca com filtro UV, dos óculos e bonés de pesca, pois elas têm um gosto mais apurado que os homens.

Acho de extrema importância mostrar isso. As Galegas do Rio têm uma grande responsabilidade de mostrar que qualquer mulher, menina ou criança do sexo feminino pode e deve pescar. Os pais que têm filhas devem levá-las para pescar, pois isso fará muito bem a elas.

Canal do Turista: Qual é o seu próximo grande projeto na área de pesca esportiva e como você planeja envolver seus seguidores e fãs nisso?

Anderson Guedes: Neste ano, temos alguns projetos de pesca esportiva, incluindo um mais recente em nossa região, com as Galegas do Rio. Esse projeto envolve visitas mútuas entre as regiões, com elas vindo pescar na Amazônia. Essa interação é bastante interessante, pois leva um pouco mais do Brasil para a região de Sinop e também ajuda no engajamento delas.

Com os recursos tecnológicos atuais, como câmeras, drones e celulares melhores, conseguimos dar mais destaque à vida natural em nosso projeto. A ideia é mostrar que a pesca esportiva vai além da captura do peixe, envolvendo muito mais a natureza e a observação do que acontece ao redor.

Por exemplo, quando você está na mata, pode observar insetos caindo na água, frutas sendo comidas e até o comportamento de outros animais, como pássaros em árvores. Essa visão ampliada da natureza torna a pesca ainda mais proveitosa.

Em nosso canal, buscamos sempre mostrar essa conexão com a natureza. Temos planos para uma aventura em que ficaremos isolados na mata por alguns dias. Estamos nos preparando com equipamentos de comunicação e outros itens essenciais para emergências, como fios para suturas.

Já passamos por algumas situações desafiadoras, como ataques de onças e capivaras, o que aumenta nossa preocupação ao planejar uma pescaria isolada na selva. Afinal, não podemos contar com socorro imediato nessas circunstâncias. Por isso, é importante estarmos preparados para realizar procedimentos médicos improvisados, se necessário, até que possamos chegar ao nosso destino ou receber ajuda.

Canal do Turista: Qual o seu SONHO GRANDE no setor de pesca esportiva?

Anderson Guedes: O sonho grande da pesca esportiva, que seria muito bom para o Brasil de maneira geral, consiste em ser considerada um esporte pelo governo. Assim, nós, pescadores esportivos, seríamos tratados como atletas, como os jogadores de futebol e tenistas. Esse sonho depende mais de questões políticas do que do nosso esforço. Podemos influenciar e falar sobre isso nas redes sociais, mas a decisão final está nas mãos dos políticos.

A realização desse sonho traria benefícios incalculáveis para o setor de pesca esportiva e turismo. Por exemplo, um americano que viaja ao Mato Grosso para pescar poderia aproveitar para conhecer a Chapada dos Guimarães e outras atrações turísticas locais. A pesca esportiva poderia ter uma maior interação com o turismo, e ambos os setores seriam beneficiados.

Se a pesca esportiva fosse considerada um esporte no Brasil, tudo mudaria. O governo teria ferramentas e incentivos para investir na atividade. Atualmente, o Ministério da Pesca foca mais na pesca comercial, enquanto os pescadores esportivos gostariam de ser tratados no âmbito do Ministério dos Esportes e do turismo.

Outro sonho é permitir que os pescadores esportivos tenham acesso às áreas de reserva natural. Mesmo que a pesca seja proibida nessas áreas, os pescadores esportivos poderiam ajudar na preservação e fiscalização do meio ambiente. Eles teriam contato direto com a natureza e poderiam denunciar atividades ilegais, como extração de madeira e garimpo.

Dessa forma, a pesca esportiva seria um agente vigilante da natureza, sem custos adicionais ao poder público. A inclusão da pesca esportiva nas áreas de reserva contribuiria para a preservação do meio ambiente e também para o desenvolvimento do turismo e da economia local.

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